Reforma tributária 2026: o que mudou e o que isso significa para a sua empresa

Você provavelmente já ouviu falar da reforma tributária. Talvez tenha visto no jornal, no grupo do WhatsApp ou alguém comentou que "os impostos vão mudar". E aí surgiu a dúvida clássica: mas o que isso muda para mim, na prática?

A resposta honesta é: depende do tipo de empresa que você tem. E em 2026, para a maioria dos pequenos empresários, a mudança ainda é pequena, mas ignorar o assunto agora pode gerar surpresas feias lá na frente.

A equipe da Marchesan preparou essa explicação do zero, sem juridiquês, para você entender o que está acontecendo e o que precisa fazer.


O que é essa reforma e por que ela existe

O sistema de impostos do Brasil é famoso por ser complicado. Uma empresa no Brasil pode pagar até cinco impostos diferentes sobre a mesma venda: PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI. Cada um com regra diferente, alíquota diferente, prazo diferente.

A reforma tributária foi aprovada para acabar com essa bagunça. A ideia é substituir esses cinco impostos por apenas dois:

  • CBS — o imposto federal, que substitui PIS e Cofins

  • IBS — o imposto estadual e municipal, que substitui ICMS e ISS

Na prática, em vez de cinco guias com cinco regras diferentes, vai existir uma lógica única para tudo. Mais simples, mais transparente.

Mas essa mudança não acontece da noite para o dia. A transição começou em 2026 com alíquotas de teste e só atinge vigência plena em 2033. São sete anos de transição gradual, tempo para as empresas se adaptarem sem levar um choque.

O que mudou em 2026 na prática

A primeira coisa importante para saber: 2026 não é o ano em que os impostos mudam de verdade. É o ano de teste.

O impacto financeiro para o caixa da sua empresa em 2026 é zero. A premissa é a neutralidade, manter a carga tributária atual.

O que muda é a parte operacional. Em linguagem direta: as notas fiscais passam a ter campos novos para registrar CBS e IBS, mas sem cobrar nada a mais por isso agora. É como trocar o formulário antes de mudar as regras.

Para quem está fora do Simples Nacional, há a exigência de destaque simbólico dos novos tributos nas notas fiscais, como parte do período de testes. Esse destaque não representa pagamento adicional de imposto.

Tem uma data importante no calendário: 1º de agosto de 2026. A partir daí, os documentos fiscais precisam estar com os campos de CBS e IBS preenchidos corretamente. Não é o fim do mundo, mas quem não se preparar pode ter nota fiscal rejeitada ou gerar pendências desnecessárias.

Imagina assim: uma analogia simples

Pensa no sistema de impostos atual como uma cidade velha, com ruas tortas, sem placa e sem mapa. Todo mundo chegou onde precisava chegar, mas gastando o dobro do tempo e se perdendo pelo caminho.

A reforma tributária é a reconstrução dessa cidade. Mais organizada, com avenidas largas e sinalização clara. Mas enquanto a obra está em andamento, de 2026 até 2033, as ruas antigas e as novas vão existir ao mesmo tempo. Você vai precisar conhecer os dois caminhos por um tempo.

O que muda para cada tipo de empresa

Se você é MEI:

Respira. Para o MEI, 2026 é quase um não-evento. Você continua pagando o mesmo DAS fixo mensalmente, do mesmo jeito que sempre fez.

O único ponto de atenção é a nota fiscal. Se você emite NFS-e (nota fiscal de serviço), verifique com seu contador se o sistema está atualizado para o novo padrão nacional. É uma adaptação técnica, não financeira.

O ponto importante para o MEI está em 2027 em diante, quando as regras começam a mudar de fato. Por isso, se você está perto do limite de faturamento do MEI (R$ 81 mil por ano), esse é um bom momento para conversar com seu contador sobre o que está por vir.

Se você está no Simples Nacional:

Para empresas do Simples Nacional, não há qualquer alteração na forma de recolhimento de impostos em 2026. A carga tributária permanece a mesma e os tributos continuam sendo pagos integralmente pelo DAS.

Mas existe uma decisão importante chegando: em setembro de 2026, você vai precisar escolher como a sua empresa vai recolher CBS e IBS a partir de 2027. Dentro do DAS, no modelo tradicional ou por fora, no modelo híbrido.

Essa escolha tem impacto real na sua carga tributária. Não é para tomar sozinho é exatamente o tipo de análise que um contador faz para você.

Se você está no Lucro Presumido ou Lucro Real:

Aqui a atenção precisa ser maior em 2026. Você já precisa começar a destacar CBS e IBS nas notas fiscais emitidas, mesmo que o valor seja simbólico e não aumente o imposto que você paga agora.

O prazo concreto é 1º de agosto de 2026. Confirme com seu contador se o sistema de emissão de notas está atualizado antes disso.

O que vem depois de 2026

Para você não se perder no calendário, aqui está o resumo do que ainda está por vir:

  • 2027: CBS substitui definitivamente PIS e Cofins. Simples Nacional começa a sentir as mudanças.

  • 2029–2032: IBS começa a substituir ICMS e ISS gradualmente

  • 2033: Sistema novo em pleno vigor. Impostos antigos extintos.

A boa notícia: você tem tempo para se preparar. A má notícia: quem espera setembro de 2033 para entender o que está acontecendo vai pagar caro por isso.

O ponto que mais preocupa a Marchesan

Uma mudança que pouca gente está falando: a partir de 2027, empresas do Simples Nacional vão gerar menos crédito de imposto para seus clientes do que empresas de outros regimes.

Na prática, isso significa que clientes maiores, empresas no Lucro Presumido ou Lucro Real , podem começar a preferir fornecedores fora do Simples, porque aproveitar o crédito deles é mais vantajoso.

Se você vende principalmente para pessoas físicas, isso provavelmente não vai te afetar. Mas se você vende para outras empresas, vale conversar com seu contador sobre isso antes de 2027.


Perguntas frequentes

  • Meus impostos vão aumentar com a reforma?

Em 2026, não. O objetivo declarado do governo é que a transição seja neutra — sem aumento de carga tributária neste primeiro ano. O impacto real começa a aparecer a partir de 2027, e vai variar muito conforme o tipo de negócio e o regime tributário de cada empresa.

  • O Simples Nacional vai acabar?

Não. O Simples Nacional foi preservado na reforma e vai continuar existindo. O que muda é a composição interna — gradualmente, CBS e IBS vão sendo incorporados ao DAS enquanto os impostos antigos somem. O regime simplificado continua, mas com algumas novas regras de funcionamento.

  • O que é esse "regime híbrido" que estão falando?

É uma opção nova que vai estar disponível a partir de 2027 para empresas do Simples. Em vez de recolher tudo pelo DAS, a empresa pode pagar CBS e IBS por fora — o que gera mais crédito para os clientes dela. Se isso vai ser vantajoso para a sua empresa depende do seu perfil de vendas. É uma análise que precisa ser feita antes de setembro de 2026.

  • Preciso fazer alguma coisa agora?

Se você é MEI ou está no Simples Nacional: verifique se seu sistema de nota fiscal está atualizado e marque setembro de 2026 na agenda para conversar com seu contador sobre a decisão do regime de 2027.

Se você está no Lucro Presumido ou Real: confirme com seu contador se as notas já estão sendo emitidas com os campos de CBS e IBS. O prazo é agosto de 2026.

  • Como saber se isso vai me afetar muito ou pouco?

Depende de três coisas: o seu regime tributário, para quem você vende e qual é a sua margem de lucro. Não tem uma resposta única para todo mundo — é exatamente por isso que o planejamento tributário existe.

A reforma tributária é real e está em andamento. Mas ela não precisa ser um bicho de sete cabeças. Com informação certa e um contador olhando para o seu caso, você atravessa essa transição sem susto.

Se quiser entender como as mudanças impactam especificamente a sua empresa — antes que o prazo de setembro chegue —, a equipe da Marchesan está aqui para conversar.

WhatsApp: (51) 3211-1595 | marchesan.co

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