Quando vale sair do MEI?

e abrir uma empresa de maior porte em 2026?

O MEI foi uma das melhores políticas públicas de formalização do Brasil. Simples, barato, sem burocracia - é o ponto de partida ideal para quem está começando.

Mas ponto de partida não é destino.

Quando o negócio cresce, o MEI começa a se tornar um limite e não só de faturamento. Limite de funcionários. Limite de atividades. Limite de credibilidade com clientes maiores. Limite de acesso a crédito.

A boa notícia é que migrar para uma empresa de maior porte é mais simples do que parece. A má notícia é que esperar demais pode custar caro, literalmente, com impostos retroativos e multas.

Neste artigo, a equipe da Marchesan explica quando é a hora certa de sair do MEI, o que muda na prática e como fazer essa transição do jeito certo.


O limite do MEI em 2026 e o que acontece quando você ultrapassa

O limite de faturamento do MEI em 2026 permanece em R$ 81.000 por ano, o mesmo desde 2018, sem correção. Isso equivale a uma média de R$ 6.750 por mês.

Há ainda uma mudança importante de 2025 que afeta diretamente quem tem renda simultânea: desde a Resolução CGSN nº 183/2025, rendimentos recebidos como pessoa física relacionados à atividade do MEI também entram no cálculo do faturamento anual. Isso impacta quem é MEI e CLT ao mesmo tempo na mesma área de atuação.

Quando o limite é ultrapassado, existem dois cenários:

Cenário 1: Excesso de até 20% (faturamento entre R$ 81.000 e R$ 97.200) Você pode continuar como MEI até 31 de dezembro. Comunica o desenquadramento no Portal do Simples Nacional até o último dia útil de janeiro do ano seguinte. A partir de 1º de janeiro, a empresa passa a operar como ME. Ao entregar a DASN-SIMEI, será gerada uma DAS complementar sobre o excedente.

Cenário 2: Excesso acima de 20% (faturamento acima de R$ 97.200) O desenquadramento é retroativo a janeiro do ano em que o limite foi ultrapassado. Todos os impostos do ano inteiro precisam ser recalculados como ME, com juros e multa sobre cada mês em atraso. Esse é o cenário mais oneroso e completamente evitável com monitoramento mensal.

Atenção: em 2026, há projetos de lei em tramitação para aumentar o limite do MEI para até R$ 140.000. Nenhum foi aprovado até a publicação deste artigo. Planeje com base no que está em vigor, R$ 81.000, não no que pode vir a mudar.

‍ ‍

Os 5 sinais de que chegou a hora de sair do MEI

1. Seu faturamento está se aproximando de R$ 81.000 (proporcional)

A recomendação é criar alertas progressivos: ao atingir 75% do limite (R$ 60.750), comece a simular os custos da migração. Ao atingir 90% (R$ 72.900), inicie o processo com antecedência. Migrar planejado é muito mais barato e seguro do que migrar às pressas.

2. Você precisa de mais de um funcionário

O MEI pode ter apenas um funcionário com carteira assinada. Se a operação já exige mais pessoas, o regime está limitando o crescimento. Leia nosso artigo completo sobre MEI pode ter funcionário para entender as regras de contratação antes de migrar.

3. Você quer ou precisa de sócio

MEI não permite sócios. Se você quer dividir o negócio com outra pessoa, seja para crescer, seja para dividir responsabilidades — a LTDA é o caminho.

4. Clientes maiores estão exigindo mais estrutura

Empresas de médio e grande porte, contratos corporativos e licitações públicas geralmente exigem fornecedores com nota fiscal completa, retenções e estrutura contábil. O MEI representa um teto para o tipo de cliente que você consegue atender, não por qualidade, mas por formato jurídico.

5. Você quer proteger seu patrimônio pessoal

No MEI, o empresário responde com o patrimônio pessoal pelas dívidas do negócio. Na LTDA ou SLU, a responsabilidade é limitada ao capital social, seus bens pessoais ficam protegidos em caso de dívidas empresariais.

A migração para ME abre acesso a linhas de crédito maiores, melhores condições com fornecedores e maior credibilidade no mercado. O que antes parecia um "castigo" é, na prática, o reconhecimento de que o negócio cresceu.

O que muda nas obrigações após a migração

Sair do MEI significa assumir novas responsabilidades, mas elas acompanham as novas possibilidades:

  • Contabilidade mensal — escrituração, obrigações acessórias e folha de pagamento

  • Nota fiscal em todas as operações — inclusive para pessoa física, em muitos casos

  • Escolha do regime tributário — Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. Leia nosso guia completo sobre regime tributário antes de decidir

  • DAS deixa de ser fixo — a tributação passa a ser proporcional ao faturamento

O aumento de custo existe, mas ele está diretamente ligado ao aumento de faturamento e de possibilidades. Empresas que migram no momento certo e com planejamento não sentem esse impacto como peso. Sentem como estrutura.


Perguntas frequentes

  • Posso voltar a ser MEI depois de sair?

Se o desenquadramento aconteceu por excesso de faturamento, é possível retornar ao MEI no ano seguinte, desde que o faturamento se enquadre novamente dentro do limite de R$ 81.000. Na prática, quem sai porque o negócio cresceu raramente volta.

  • O limite do MEI vai aumentar em 2026?

Há projetos de lei em tramitação para elevar o limite para R$ 130.000 ou R$ 140.000, mas nenhum foi aprovado até a data deste artigo. O limite oficial em 2026 continua sendo R$ 81.000. Não planeje com base em mudanças que ainda não viraram lei.

  • Qual a diferença entre ME e SLU?

A ME pode ter um ou mais sócios. A SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) é uma empresa com apenas um titular, mas com responsabilidade limitada — diferente do Empresário Individual, onde o dono responde com o patrimônio pessoal. Para quem quer sair do MEI sem sócio e com proteção patrimonial, a SLU costuma ser a melhor opção.

  • Preciso de contador obrigatoriamente após o MEI?

Sim. A partir da Microempresa, a escrituração contábil assinada por um profissional habilitado pelo CRC é obrigatória para o cumprimento das obrigações mensais.

  • Como saber se estou no momento certo para migrar?

Se você respondeu sim a qualquer um dos 5 sinais listados neste artigo — faturamento se aproximando do limite, necessidade de mais funcionários, desejo de ter sócio, clientes maiores exigindo mais estrutura ou preocupação com patrimônio pessoal — já é hora de pelo menos simular os cenários. Fala com a nossa equipe antes de decidir.

Sair do MEI não é um problema, é um sinal de crescimento. O que separa quem faz essa transição bem de quem se complica é o planejamento: agir antes que o limite vire uma urgência.

Se você está se aproximando do limite ou quer entender qual é o melhor formato para o próximo estágio do seu negócio, a Marchesan pode te ajudar a simular os cenários e fazer a migração do jeito certo.

WhatsApp: (51) 3211-1595 | marchesan.co

Próximo
Próximo

O que é DRE?