Fechamento contábil e financeiro de setembro: passo a passo completo

Fechar o mês bem feito é o que transforma uma pilha de recibos e extratos em informação que ajuda a tomar decisão. Setembro tem um motivo a mais para caprichar: é o mês em que empresas do Simples Nacional decidem o regime tributário de 2027 e essa decisão só é boa se for baseada em números confiáveis.

Este guia mostra o passo a passo completo, do jeito mais didático possível, para quem nunca fez um fechamento sozinho ou quer organizar melhor o processo que já existe na empresa. Nenhuma etapa aqui exige conhecimento técnico avançado exige, principalmente, organização e ordem.


Fechamento financeiro e fechamento contábil não são a mesma coisa

O financeiro organiza o dinheiro que entrou e saiu. O contábil transforma isso em registro formal.

O fechamento financeiro é a etapa que qualquer empresa deve fazer internamente: reunir extratos, conferir pagamentos e recebimentos, organizar comprovantes. O fechamento contábil vem depois, e é conduzido pelo contador ele pega essa base organizada e consolida em livros contábeis, demonstrações formais como a DRE, e a apuração dos impostos do período. Um depende do outro: fechamento financeiro malfeito atrasa e compromete o fechamento contábil.

O passo a passo, do início ao fim

Dez etapas, na ordem em que devem acontecer. Pular a ordem é o erro mais comum de quem fecha o mês com pressa.

Abaixo, cada etapa explicada em detalhe.

1. Feche no último dia do mês

A data de corte não é uma escolha, é o último dia do mês, sempre. Tudo que aconteceu até 31 de agosto entra nesse fechamento; o que acontecer em 1º de setembro em diante já pertence ao mês seguinte. Fixar essa regra sem exceção evita a confusão mais comum: uma nota fiscal ou pagamento de virada de mês parar no fechamento errado porque alguém decidiu, na hora, até quando contar.

2. Reúna todos os documentos do mês

Extratos bancários de todas as contas, notas fiscais emitidas e recebidas, comprovantes de pagamento, boletos, contratos assinados no período. Se a empresa usa mais de uma conta ou cartão corporativo, todos precisam entrar, um extrato esquecido é a causa mais comum de divergência lá na frente.

3. Faça a conciliação bancária

Compare, linha por linha, o extrato bancário com o que foi registrado internamente. O objetivo é confirmar que cada valor que entrou ou saiu da conta tem um registro correspondente e vice-versa. Essa é a etapa mais importante do fechamento financeiro: sem uma base bancária confiável, tudo que vier depois carrega o mesmo erro adiante.

4. Confira contas a pagar e a receber

Verifique quais títulos venceram e foram pagos, quais ainda estão em aberto, e se todos os recebimentos esperados de fato entraram. Títulos vencidos e não pagos, ou clientes que não pagaram no prazo, precisam ser sinalizados agora, não descobertos só quando o caixa não fecha.

5. Revise a classificação de cada lançamento

Cada entrada e saída precisa estar na categoria certa, despesa fixa, variável, receita operacional, receita financeira. Um lançamento classificado errado distorce qualquer análise posterior, inclusive a margem de contribuição de cada produto, que depende de saber exatamente quais custos são variáveis.

6. Calcule as provisões de despesas gerais

Aluguel, seguros, contratos de manutenção, assinaturas de sistema e depreciação de equipamentos precisam ser provisionados mês a mês, mesmo quando o pagamento efetivo é anual, semestral ou cai em data diferente. Um seguro pago de uma vez em janeiro, por exemplo, deveria ser distribuído ao longo dos doze meses, senão o mês do pagamento parece artificialmente mais caro, e os outros onze parecem mais baratos do que realmente são. Provisionar essas despesas mês a mês dá um retrato mais real do custo fixo da empresa em qualquer período.

7. Confira a folha de pagamento com o RH ou departamento pessoal

Salários, encargos, benefícios, provisão de férias e 13º salário, rescisões ou admissões do mês precisam estar refletidos corretamente. Alinhar com quem cuida de pessoal evita que o fechamento financeiro e a folha real fiquem descolados. Vale revisar aqui o custo real de um funcionário, que detalha essa conta por completo.

8. Levante as obrigações fiscais do período

Impostos apurados, guias geradas, prazos de recolhimento, tudo mapeado antes de fechar. Etapa normalmente conduzida junto com a contabilidade, que aplica as regras do regime tributário sobre os números já conciliados.

9. Monte a Demonstração do Resultado do período

Com tudo conciliado e classificado, a DRE mostra receita, custos, despesas e o resultado final do mês, lucro ou prejuízo. É o retrato mais importante que sai do fechamento, e a base para qualquer decisão de gestão que venha depois.

10. Analise o resultado antes de arquivar

Fechar o mês não é só organizar números, é olhar para eles. Compare com o mês anterior, veja se algo foge do padrão, identifique o que precisa de atenção antes do próximo ciclo começar. Um fechamento que termina sem essa análise perde metade do valor do processo.

Por que setembro de 2026 pede atenção extra

Porque é o mês da decisão sobre o regime tributário de 2027 para empresas do Simples Nacional.

Entre 1º e 30 de setembro, empresas do Simples decidem se permanecem no modelo unificado ou optam pelo regime híbrido de IBS e CBS, decisão que já detalhamos no artigo sobre a decisão do Simples Nacional em setembro. Essa escolha depende de simular cenários com números reais da empresa: faturamento, margem, perfil de clientes. Um fechamento de setembro malfeito, com números pouco confiáveis, compromete justamente a decisão que mais importa nesse mês. Vale fechar com ainda mais cuidado que o normal.

Erros comuns que atrasam o fechamento

  • Deixar a conciliação bancária para o fim, em vez de fazer primeiro: isso obriga a refazer análises já feitas com base errada

  • Não provisionar férias e 13º ao longo do ano, distorcendo o resultado dos meses em que esses valores são efetivamente pagos

  • Misturar receita de produtos e serviços diferentes sem categorizar, o que impede qualquer análise de margem por linha de negócio

  • Fechar o mês sem olhar o resultado: só arquivando os números sem tirar nenhuma conclusão prática deles

  • Não fechar exatamente no último dia do mês, gerando divergência sobre o que pertence a qual mês

Perguntas frequentes

  • Qual a diferença entre fechamento financeiro e fechamento contábil?

O fechamento financeiro organiza as movimentações de caixa do período, pagamentos, recebimentos, conciliação bancária e serve de base para o fechamento contábil, que consolida esses dados em registros formais, como o razão contábil e a DRE, seguindo as normas contábeis aplicáveis ao regime da empresa.

  • Quanto tempo leva para fechar o mês?

Depende do volume de transações e da organização ao longo do mês. Empresas pequenas, com rotina organizada, costumam fechar em 3 a 5 dias úteis após o fim do mês. Empresas maiores ou com muitas pendências podem levar duas semanas ou mais.

  • O que é conciliação bancária e por que ela é o primeiro passo?

É o processo de comparar o extrato bancário com os lançamentos registrados internamente, para confirmar que tudo que entrou ou saiu da conta está corretamente contabilizado. É o primeiro passo porque, sem essa base confiável, qualquer análise feita depois (relatório, DRE, decisão) parte de números que podem estar errados.

  • Por que o fechamento de setembro de 2026 é diferente dos outros meses?

Porque setembro de 2026 é o mês em que empresas do Simples Nacional decidem o regime tributário para 2027, continuar no modelo unificado ou optar pelo regime híbrido de IBS e CBS. Essa decisão depende de números fechados e confiáveis do próprio mês, o que torna o fechamento de setembro mais importante que o normal.

  • Preciso de contador para fazer o fechamento mensal?

O fechamento financeiro pode deve ser conduzido internamente pela empresa, com organização e disciplina. Já o fechamento contábil formal (lançamentos no razão, demonstrações contábeis, apuração de impostos) exige o contador, pois envolve normas técnicas e responsabilidade legal sobre os registros.

  • O que fazer se encontrar uma divergência durante o fechamento?

Investigar a origem antes de corrigir. Divergências entre extrato e registro interno costumam vir de lançamento duplicado, pagamento não identificado ou nota fiscal não lançada. Corrigir sem entender a causa pode mascarar um erro maior que vai se repetir nos meses seguintes.

  • Quer um fechamento de setembro sem dor de cabeça?

Esse é justamente o tipo de rotina que fica mais leve quando alguém experiente conduz o processo, principalmente num mês que carrega uma decisão tributária importante junto.

Na Marchesan, cuidamos do fechamento contábil e financeiro dos nossos clientes com esse cuidado extra em setembro, garantindo números confiáveis para a decisão do Simples Nacional. Se você quer apoio nesse fechamento, chame no WhatsApp (51) 3227-4537.

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