Split payment: o que muda no caixa da sua empresa em 2027
A partir de 2027, o imposto sai do pagamento do seu cliente antes de o dinheiro chegar na sua conta. É o split payment, uma das mudanças mais concretas da reforma tributária, porque não afeta cálculo de imposto, afeta o caixa disponível da empresa no dia a dia.
Hoje, quando uma venda é paga, o valor cheio entra na conta da empresa, e o imposto só é recolhido semanas depois, na data de vencimento. Esse intervalo funciona como uma espécie de capital de giro gratuito, o dinheiro do imposto fica disponível até a hora de pagar. O split payment elimina esse intervalo. Este guia explica como o mecanismo funciona, quando começa a valer, e o que fazer para o caixa da empresa não ser pego de surpresa.
O que é split payment, em uma frase
É o sistema de pagamento separando automaticamente a parte do IBS e da CBS no momento da compra, e repassando esse valor direto ao fisco, sem passar pelo caixa da empresa.
A base legal está nos arts. 31 a 36 da Lei Complementar nº 214/2025. O art. 31 estabelece que os prestadores de serviços de pagamento eletrônico, bancos, operadoras de cartão, instituições de Pix, devem segregar e recolher IBS e CBS "no momento da liquidação financeira da transação". É uma das cinco formas de extinguir o débito de IBS e CBS previstas no art. 27 da mesma lei, ao lado do pagamento tradicional e da compensação com créditos.
O exemplo que explica tudo
Imagine uma venda de R$ 1.000, com R$ 100 de IBS e CBS destacados na nota. Hoje, a empresa recebe os R$ 1.000 inteiros, e recolhe os R$ 100 de imposto depois, na data de vencimento usando, se quiser, esse dinheiro como caixa até lá.
Com o split payment, no momento em que o cliente paga, o sistema financeiro já separa: R$ 900 vão para a conta da empresa, e R$ 100 seguem direto para o fisco. A empresa nunca chega a ter aquele dinheiro em caixa. O valor total que ela recebe pela venda continua sendo R$ 1.000, só que R$ 100 dele nunca passam pela conta dela.
Duas formas de o sistema calcular o valor a reter
A lei prevê dois procedimentos possíveis, com lógicas diferentes de cálculo.
Na prática, o procedimento padrão exige mais integração entre o sistema de pagamento e o documento fiscal eletrônico, mas entrega o valor certo na hora. O simplificado é mais rápido de implementar, mas pode reter um pouco a mais ou a menos, sendo ajustado depois.
Por que isso mexe com o capital de giro
Porque o dinheiro do imposto deixa de circular pela empresa antes do vencimento e para muitos negócios, esse intervalo é, hoje, uma fonte real de fôlego financeiro.
Empresas com ciclo financeiro mais longo, margem apertada, ou que dependem desse intervalo entre receber e recolher para financiar operação, sentem o efeito com mais força. Quanto maior o faturamento e a carga tributária da operação, maior tende a ser a redução no volume de caixa disponível no dia a dia. Isso não é um imposto novo, é o mesmo imposto de sempre, só que chegando mais cedo ao fisco e nunca passando pela sua conta.
Quando isso começa a valer de fato
Em 2027, de forma gradual e, na primeira etapa, facultativa, não em 2026.
2026 é ano de teste do sistema como um todo: as alíquotas de IBS e CBS são simbólicas (0,1% e 0,9%), e quem cumpre corretamente as obrigações acessórias, como destacar os tributos na nota, fica dispensado do recolhimento efetivo sobre os fatos geradores desse ano, tema que já detalhamos no artigo sobre IBS e CBS na nota fiscal. O split payment em si começa a operar de verdade a partir de 2027, quando a CBS passa a ser cobrada com alíquota cheia. A implementação é por etapas: primeiro restrita a determinados meios de pagamento eletrônico e a operações entre empresas, antes de se estender ao consumidor final, sem cronograma fechado para essa segunda fase até o momento.
Como se preparar antes da mudança valer
Refaça a projeção de fluxo de caixa sem contar com o valor do imposto como capital de giro disponível, simule como ficaria o caixa se esse dinheiro nunca tivesse passado pela conta
Revise linhas de crédito e prazos negociados com fornecedores, considerando que o intervalo de caixa vai encolher
Confirme que o sistema de emissão de notas está integrado corretamente aos meios de pagamento usados pela empresa. é essa integração que faz o split funcionar sem erro
Se a empresa é do Simples Nacional, entenda como a decisão de setembro sobre Simples puro ou híbrido se conecta com isso, o regime escolhido influencia como os créditos são gerados e aproveitados
Não deixe essa conta para o fim de 2026, quanto antes a projeção for refeita, mais tempo para ajustar linha de crédito ou negociação com fornecedor, se for necessário
Perguntas frequentes
O que é split payment na reforma tributária?
É o mecanismo que separa o valor de IBS e CBS no momento em que o cliente paga, antes de o dinheiro chegar na conta da empresa. Em vez de receber o valor cheio e recolher o imposto depois, o prestador de serviço de pagamento retém a parcela do tributo e repassa direto ao fisco, entregando à empresa apenas o valor líquido.
Quando o split payment começa a valer?
A partir de 2027, de forma gradual e, na primeira fase, facultativa. O modelo começa restrito a determinados meios de pagamento eletrônico e opera antes nas operações entre empresas, antes de eventualmente se estender ao consumidor final.
Por que o split payment reduz o caixa disponível da empresa?
Porque hoje a empresa recebe o valor total da venda e só recolhe o imposto na data de vencimento, semanas depois. Esse intervalo funciona, na prática, como capital de giro gratuito. Com o split payment, o valor do tributo nunca chega a entrar no caixa, ele é retido e repassado ao fisco no momento do pagamento, eliminando esse intervalo.
Qual a diferença entre o procedimento padrão e o simplificado do split payment?
No procedimento padrão, o sistema de pagamento consulta em tempo real os valores exatos de IBS e CBS devidos na operação, com base no documento fiscal eletrônico. No procedimento simplificado, o valor retido segue um percentual pré-estabelecido sobre o total da transação, ajustado posteriormente e a diferença a mais é devolvida ao fornecedor em até 3 dias úteis.
O split payment vai valer para todas as formas de pagamento?
A implementação é gradual. As primeiras modalidades abrangidas tendem a ser os meios de pagamento eletrônico mais usados no varejo, como Pix, boleto, TED e cartões. A extensão completa a todos os arranjos de pagamento, e ao consumidor final, ocorre em etapas posteriores, sem cronograma fechado ainda.
Como uma empresa deve se preparar para o split payment?
Refazendo a projeção de fluxo de caixa sem contar com o valor do imposto como capital de giro disponível, revisando linhas de crédito e prazos com fornecedores, e conferindo que o sistema de emissão de notas está corretamente integrado aos meios de pagamento usados pela empresa.
Na Marchesan, ajudamos nossos clientes a projetar esse impacto com antecedência, dentro do planejamento financeiro do ano. Se você quer entender como o split payment vai afetar o caixa da sua empresa, chame no WhatsApp (51) 3227-4537.